Caderno de Literatura por Bianca Borges

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Escritor Atualizado 2 anos atrás
Idioma Portuguese Leituras 736
Categoria

Contos

Curado

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Publicado Jun 17, 2014 Popular

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Olá, Bianca. Tudo ok? Adcionei seu livro a minha coleção para leitura, gostaria que, se possível, desse uma passada lá no meu https://www.widbook.com/ebook/memorias-de-um-paladino Fique a vontade para criticar. Abraços.
25 de Março de 2015 às 14:31
Sobre escrever... Olha, você me fez refletir. Eu não sei se concordo ou discordo com o que disse, mas eu não vejo um tema, uma trama ou um personagem como uma parte externa do autor, ou no caso, como um "eu por escrito" - meu inconsciente pode ser assim? Talvez. Eu - e o que defino como eu - e meu inconsciente somos os mesmos? Temo não saber... Vou até pesquisar sobre isso. Quem cria o que criamos? Quem imagina o imaginado? Eu consciente ou um eu do qual não tenho acesso? Acho que o que criamos têm vida própria fora de nós, devido as interpretações... Mas sim, claro que a personalidade de um autor define muita coisa, como, querer ver o circo pegar fogo ou idealizar um conto de fadas, mas quando nos vemos livres - e com isso, digo, sem nada que nos amarre à ideias pré-concebidas ou conceitos que desconhecemos totalmente como bom/ruim, certo/errado - temos a capacidade de criar tudo, e tudo se torna imaginável. Hahaha, eu gostei desse tópico. Quero ler mais opiniões sobre, ah, se puder, escreva sim um conto sobre isso. Adoraria ler.
Bianca Borges 11 de Julho de 2014 às 19:17 Que ótimo saber que não sou a única a ter essas dúvidas. Achei interessante seus apontamentos também. Acho que o Jung disse algo sobre isso, se me lembro bem. E como num caderno mesmo, tudo que eu achar pertinente vai acabar parando aí. Obrigada por acompanhar!!
9 de Julho de 2014 às 23:32
Excelente... Adorei sua escrita. Diante de tantos comentários extasiantes, me reservo a um simples elogio, mas carregado de grande sentimento de satisfação e admiração[...]
Bianca Borges 8 de Julho de 2014 às 15:56 \o/ é gratificante saber que estou indo no caminho certo, seja para onde for. Obrigada pelo comentário!
6 de Julho de 2014 às 08:46
Gostei. Tem escrita madura, com embasamento em questões inerentes à sociedade. O primeiro conto fala sobre um casal, mostra a visão dele com o mundo e lança um arrependimento por evitar o último carinho antes da despedida... O ponto central, mais forte, é o da crença. Fala sobre ser desagradável; presságio de morte e o conto ironiza. Seu Luís morreu em dia que a coruja estava sobre o telhado de sua casa, logo, é fato - no contexto - que tal pássaro traga azar. Dona Rita, naquela crença bastante encontrada em pessoas mais antigas, teme devido às histórias que ouviu sobre o animal. O engraçado é que talvez o temor seja o motivo para perder o marido. Caso (e o texto trabalha bastante os "quases" que poderiam evitar a morte de Seu Jeremias), ele não saísse, por exemplo, poderia estar vivo. O segundo momento fala sobre a resignação de Dona Rita. Se é chegada a hora, que vá. É inevitável. A figura da coruja pode também ser, neste caso, um eufemismo. Poderíamos considerar como uma dor que ela sentiu no coração, ou um mal-estar, porém, por saber que era o momento, foi utilizado o animal para abrandar o fim que a esperava. A imagem final foi bem feliz. Mostrou o encontro com o marido e trouxe uma paz ao leitor. Leva também a outro fator social bem interessante que é o da religião. Faz refletir sobre o que há após a morte. Neste caso, um encontro com a pessoa amada. Já o segundo... Leva a um monstro social. Surge a imagem de um homem perfeito, quando considerados os fatores externos, entretanto, a partir do instante em que há uma interação, é perceptível mente menos desenvolvida. O tema sobre a diferença me é de bastante interesse, confesso. Nas discrepâncias de um e outro é possível perceber os pequenos preconceitos. Uma sociedade x não se dá bem com y, pois x enterra seus mortos, enquanto y apenas os joga no rio. Algo assim é suficiente para a criação de um monstro. Tomarei como foco a sociedade x: ela terá visão negativa sobre y e talvez mesmo veja tal povo como menos evoluído. Sobre isto, ao longo do tempo, haverá talvez repulsa e mesmo criação de imagens para evitar a interação de seu povo com o outro. E então surgem conceitos prévios e juízos de valor sempre desagradáveis sobre a outra sociedade. O monstro remete ao coletivo. Quando todos são iguais, aquele que mostra alguma deficiência é visto de forma diferente. Há temor de que os seus problemas contaminem toda a sociedade e a destrua. Existe a busca pela perfeição e o imperfeito é algo a ser evitado. Ideologias de um líder podem aumentar o ódio pelas diferenças. Mas... Deve-se considerar o sujeito como um humano. Existem sentimentos ali. No conto é perceptível a euforia de Sérgio por comer o bolo. Agora ele sabe que existe. Agora ele é alguém. Pela primeira vez é um ser em vez de um nada! Vive como nunca viveu, e quer tratamento igual ao que outros recebem. Não sabe como ser visto em nível igual ao da maioria e num instante rebelde age por conta própria. Por raciocinar num nível - considerado no texto - inferior aos outros, toma decisão reprovável. Contudo, será que estava errado? É preciso considerar fatores psicológicos. O entendimento sobre o certo e errado a este indivíduo é diferente, logo, acredita fazer algo normal. E sente felicidade por isto. E então... Surge o que seria um castigo: ele engasga. Tem tamanha empolgação que chega a um estado de quase morte. E mesmo em sofrimento é tratado como um ser inferior a um humano. Toma um chute de alguém que deseja "se livrar do incômodo" (não deseja sujar mesmo a sola dos sapatos!), e ainda recebe sanções dos outros: gritam com ele; olham, e neste caso, bem indignados. O final tem outra ironia e um humor negro: tá morrendo... tá quase lá... e... ops... não morre não... é por lerdeza?... Ou teimosia?... Ou seriam os dois?... Sei que ele continua como um estigma, assim como o monstro na sociedade: algo que difere, contrasta e é impossível de ser eliminado, pois sempre existe algo fora dos padrões. Ah! E li os comentários. Não creio que seja ridículo o conto. Embora trate de um tema ridículo, o modo como o autor expressa o conteúdo pode trazer reflexão interessante sobre o social. Sem mais, Abraços. :)
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Bianca Borges 30 de Junho de 2014 às 16:29 Meu, vou imprimir o seu comentário e colar na parede para sempre me lembrar de como analisar bem a obra de um colega. Não tem porquê pedir perdão, eu é que tenho que te agradecer; pude ver os efeitos das minhas intenções de escrita no leitor com maior fidelidade e, mesmo que você não tenha apontado as partes negativas (aliás, fique à vontade para isso!) eu pude comparar tais intenções com as impressões. No geral, me parece que consegui me expressar com bastante eficiência, e vc também soube captar e expressar tudo isso. De fato eu quis trabalhar a dualidade no primeiro conto; quis mostrar o mundo visto por duas perspectivas: a mítica e a lógica; e como parece perfeitamente plausível para cada lado as próprias interpretações. No final eu não cheguei a bater o martelo quanto a morte da Dona Rita; queria que uma pessoa "lógica" entendesse que ela estava sonhando, e que a pessoa "mítica" entendesse a morte por si. Pelo visto, embora vivamos num mundo de lógica, a realidade mítica parece mais plausível em alguns casos. No entanto, ela é a realidade independente de como a enxergamos. No segundo conto, o único jeito que encontrei de expor a alma do monstro sem fazê-lo mocinho foi colocar o narrador contra ele. De fato que a intenção também foi colocar o leitor contra o narrador e, consequentemente, a favor do monstro. Queria que se identificassem com aquilo que normalmente é desprezado, que percebessem a crueldade que existe na exclusão, sem contudo transformar Sérgio num mártir. E assim, por teimosia ou mesmo lentidão, ele se recusa a morrer. Ele descobriu sim, a vontade própria, e os incomodados que se mudem rsrs. Quanto ao humor negro, posso até reconhecer a parte do "negro", no sentido de cruel e politicamente incorreto, mas se foi cômico, não foi intencional. Você não é o primeiro a dizer isso; peço que me explicite onde fui cômica, assim tentarei reproduzir o efeito. Para mim, a comédia é o efeito mais difícil de se conseguir! Obrigada pelos apontamentos. E continue acompanhando! =)
João Gonçalves 30 de Junho de 2014 às 20:09 Oba, que honra por gostar do comentário! Fico feliz por encontrar fatos que você tentou mostrar. No primeiro, eles estão visíveis e a pessoa que conhece o mito por trás da coruja pode enxergar as ideias do conto com grande facilidade. Já aquele que desconhece recebe com menos força poética a ideia do texto. Pode até mesmo não entender nada caso o autor o deixe solitário, sem guiá-lo pelos caminhos do texto. E você conseguiu guiar de forma interessante. A leitura sempre remete à crença de Dona Rita. O terreno tem preparo para algo inerente às superstições. Logo, o leitor pode ver de forma lógica que a coruja simboliza o chegar da morte. Quanto ao segundo, posso até considerar o humor como algo pessoal. Cada indivíduo capta o sentido de forma diversa. Para mim teve algo de graça - e já falarei -, para outro talvez seja algo um pouco mais dramático, ou não pode ser nenhuma das duas sensações... Vamos, porém, ao que senti, e que não seja levado como certo ou errado, pois tem caráter pessoal, serve mais como retorno de um leitor: para mim, o cômico inicia na hora em que Sérgio percebe a oportunidade perfeita, que é a de provar o bolo, e o primeiro pedaço ainda! Em análise rápida pode-se notar que ele sente felicidade com algo que poderíamos considerar ínfimo. Grande alegria por um pedaço de bolo... Leva a uma mentalidade infantil; isto segue ao longo do texto em que ele tem total liberdade para agir do modo como deseja. Tem plenos poderes. Leis inexistem. O mundo é apenas dele. Aí também percebo certa graça. Ora essas! Qual humano com sã consciência de seus atos agiria de tal maneira? Quem destruiria a festa dos outros? E quem faria isto sem perceber? Sérgio faria, e como eu disse no outro comentário, faria sem noção sobre o certo e o errado. O texto, leve e rápido, também narra de forma alegre. É como um trunfo ele agir de tal modo. Alguém excluído tem espaço... Lembra até mesmo do momento em que os 20 familiares o deixaram na apresentação... Mas agora sente o doce; sentia o poder. O texto põe algumas coisas, como "agora eu fiquei doce, doce, doce", que também o deixam mais leve e até engraçado. Mas sigamos: Sérgio continua a comer o bolo em desespero. É a primeira e talvez única oportunidade. Existe o desespero e pretende comer o máximo possível. Quer sentir aquilo que todos sentem nas festas. Já são mais de duas décadas esquecido, sem receber o bolo... Come como nunca! E deveria parar, como a imagem do menino o disse, mas continua... Nisto, lá vem o engasgo. Tudo o que eu disse é para o final, o momento em que percebo a maior ironia. Algo que amplia a comicidade: o modo como você narra os fatos. Sérgio está para morrer e a preocupação maior é com o bolo. Mostra também que daria um sorrisinho insolente e que este é o melhor ano novo da vida. E o final, lá está o ápice: "Então, por teimosia ou mesmo lentidão, Sérgio se recusou a morrer". Ele continua e tem a chance, quem sabe, de repetir o feito... Bom, como eu disse, não que o meu comentário seja certo. É apenas uma opinião pessoal. Outros podem ver algo diferente ali. Também não acho que precise mudar o texto. Agora, quanto ao falar sobre aspectos negativos, deixarei para depois. Prefiro ter mais textos seus para análise... Desejo uma comparação entre eles: e que considere as minhas falas apenas como uma opinião de leitor :) Abraços!
Bianca Borges 8 de Julho de 2014 às 15:54 Opa! Continue analisando, suas opiniões de leitor com certeza fazem diferença. O que estou vendo, ultimamente, é que as coisas que eu gostava quando era exclusivamente leitora diferem um pouco das que gosto agora como pseudo-escritora. Espero me encontrar um dia. Até lá, continuarei experimentando gêneros e crescendo com os retornos dos colegas! =)
30 de Junho de 2014 às 03:14
Uau, adorei esse conto. Bem irônico e trágico. O que eu mais gosto nos seus contos é que eles fogem do comum. Seus plots são ótimos, sério. Meus parabéns.
Bianca Borges 23 de Junho de 2014 às 19:08 Caramba! Quem diria que iriam gostam desse conto?! Eu nunca saberia sem leituras críticas e retornos elaborados. Espero continuar agradando!
23 de Junho de 2014 às 14:52
Esse era o seu "conto ruim"? Poxa, Bianca, eu achei seu segundo conto maravilhoso. Muito bom. Toda a crítica por trás, a tristeza do personagem, a vingança, a ironia do fim... Nossa. Meus parabéns. Você, definitivamente, aprendeu muito com os seus estudos. Fiquei até curioso, haha. Só tem um errinho na última página, onde o "a" seria "da".
Bianca Borges 23 de Junho de 2014 às 19:02 Fiquei muito aliviada! Obrigada mesmo. Já corrigi o errinho lá. Espero continuar evoluindo, com ajuda dos retornos de vocês!
23 de Junho de 2014 às 01:47
Moça, quantos contos legais. Na verdade eu nem sei o que comentar. É melhor deixar seu Caderno de Literatura "falar por si só". Parabéns :3
Bianca Borges 22 de Junho de 2014 às 03:53 Obrigada pelo incentivo! Confesso que estava com medo de ser ridícula demais nesse segundo conto. Valeu! =)
22 de Junho de 2014 às 03:05
Moça, você escreve muito bem. Achei bem criativa a sua história e o final, digamos, bem inesperado. Parabéns.
Bianca Borges 19 de Junho de 2014 às 16:14 Muito obrigada, Jéssica! Um comentário desses é ótimo para levantar a moral para o próximo conto.... que não está nada fácil de sair.
19 de Junho de 2014 às 03:45
Uau, adorei o seu conto "Janela". Muito bem escrito, e o final é ótimo. Também achei muito interessante sua ideia de um caderno, hehe. Na página 11 em "o melhor a fazer era espantar a coruja, sim, pode ser que até o temporal vá embora com aquela criatura da morte", não seria melhor colocar tudo no passado? Na mesma página, falta o travessão em uma das falas. Tirando isso, impecável.
Bianca Borges 18 de Junho de 2014 às 01:31 Obrigada, João! Acabei vendo aqui que alguns travessões sumiram junto com o itálico em algumas partes. Já corrigi. Quanto à parte que deveria estar no passado, bom, ela deveria mesmo. Mas quis que os pensamentos dos personagens se misturassem ao texto, de forma a dar mais fluência à leitura. Por enquanto, manterei essa parte. Vamos ver.
João Marcos Oliveira 18 de Junho de 2014 às 01:42 Entendido :)
17 de Junho de 2014 às 23:51